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Lições das HQs para criar uma apresentação fantástica

Postado em 23/08/2017 por Rafael Farias Teixeira

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A história em quadrinhos — ou HQ para os íntimos — não é considerada a nona arte por acaso. Ela mistura imagem e texto em um equilíbrio e sequência perfeitos para criar as mais diferentes tramas, em diferentes gêneros. Um dos grandes mestres das HQs, Will Eisner, define a história em quadrinho como arte sequencial: o arranjo de fotos ou imagens e palavras para narrar uma história ou dramatizar uma ideia.

E ao contrário do que muitas pessoas ainda acreditam, os quadrinhos não são — apenas — uma diversão para crianças. A leitura frequente de quadrinhos ensina, mesmo que inconscientemente, diversas lições sobre como fazer uma boa apresentação.

Se você parar para pensar por apenas alguns minutos, uma apresentação tem muito em comum com uma HQ: os dois são um tipo de narrativa que mistura imagens, texto e movimento — mesmo sem o recurso de fazer com que elementos se movimentem, as histórias em quadrinhos são desenhadas de forma que você tenha uma ideia de movimento.

Na apresentação, ainda temos o discurso falado, que no fim complementa a parte textual que está sendo exibida. O importante que devemos levar em consideração em todas as lições que vou listar aqui é que todas têm a ver com dois elementos importantes: equilíbrio e conexão.

1. Equilíbrio: os elementos não podem se exceder, roubar a importância de todos os outros. As imagens não podem ser tantas ou tão fortes e cativantes que a pessoa que lê a HQ ou assiste à apresentação deixe de prestar atenção no texto ou no discurso; o mesmo vale para o contrário, o texto ou discurso não podem ser tão fortes que o conteúdo e os detalhes apresentados na tela ou nas páginas da revista passem despercebidos.

2. Conexão: a existência de cada elemento deve fazer sentido com todos os outros, eles devem se complementar de forma que a mensagem fique completa e seja transmitida da melhor forma possível.

Para as lições e avante!

1. Não seja redundante: uma coisa muito comum nos quadrinhos antigamente, eram os balões de pensamentos. Eles serviam para expressar o que cada personagem sentia , mas caíram em desuso, porque passaram a descrever ações que já eram mostradas pelo desenho do quadrinista.

Atualmente, eles deram lugar a quadros de narrativa que dificilmente serão assim redundantes. Eles trarão o clima da história e se aprofundarão mais na construção dos personagens.

O mesmo deve acontecer com uma apresentação: não seja redundante na hora de usar imagens e textos. Elas precisam se complementar, não se repetir. Isso com certeza desanima a audiência e demonstra pouco cuidado na hora de pensar a apresentação.

Nós conseguimos ver o que o Dr. Estranho está fazendo, então por que descrever com um balão de pensamento?

Nós conseguimos ver o que o Dr. Estranho está fazendo, então por que descrever com um balão de pensamento?


Nos quadrinhos, Vampira sempre foi conhecida pelo sue jeito despojado de falar e expressões tipicamente sulista dos EUA. Aqui no Brasil, o "sugah" virou "docinho"

Nos quadrinhos, Vampira sempre foi conhecida pelo sue jeito despojado de falar e expressões tipicamente sulista dos EUA. Aqui no Brasil, o “sugah” virou “docinho”

2. Crie um discurso coerente com quem fala: cada personagem de uma história em quadrinhos é criado para simular alguém real, como eles falam, como eles se comportam. Tudo isso precisa estar coerente com a personalidade e história dele. Não adianta colocar um super-herói de origem humilde falando com um discurso empolado e cheio de palavras difíceis.

O mesmo tipo de preocupação você tem que ter com o discurso e a pessoa que irá apresentá-lo. Quando o apresentador começar, as palavras precisam sair dele naturalmente e  parecer que fazem sentido com sua personalidade e com o conteúdo da apresentação. Uma distância muito grande entre a identidade da apresentação, do apresentador e da linguagem do discurso podem distrair e afastar a audiência da mensagem que você quer passar.


Uma imagem muito complexa pode tirar a atenção do texto. Tente priorizar e equilibrar

Uma imagem muito complexa pode tirar a atenção do texto. Tente priorizar e equilibrar

3. Não deixe que toda a ação tire a atenção da mensagem: quem lê quadrinhos sabe que alguns ilustradores capricham nas cores, nos traços e nos detalhes. É importante lembrar, porém, que uma boa HQ não é feita apenas de imagens, mas de texto também. Se o leitor não consegue identificar os balões e caixas de texto ou nem se interessa em ler o que está escrito ali, a mensagem final será prejudicada. Em uma apresentação, as imagens e animações não podem ser excessivas a ponto da audiência esquecer de prestar atenção nas mensagens e dados apresentados. Equilíbrio, mais uma vez, é algo essencial.


4. Fique atento à sequência: como falei ali em cima, a HQ é uma arte sequencial! Ou seja, cada nova página deve trazer conexão com a anterior e, ainda mais importante, deve prender a atenção do leitor para que ele não largue a revista. Em uma apresentação, as informações devem estar na melhor sequência, uma ordem que faça sentido e que ao mesmo tempo prenda o interesse de quem assiste.


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5. Identificação é importante: por que personagens tão fantásticos como os heróis dos quadrinhos ainda atraem tantas pessoas de diferentes idades? Porque as pessoas se identificam com a mensagem que eles passam. Os X-Men, apesar de serem mutantes com poderes, algo completamente fora da nossa realidade, ainda passam uma mensagem que ecoa em diferentes populações minorizadas e pessoas que por algum motivo se sentem excluídas.

Sua apresentação precisa criar esse tipo de identificação com o público e por isso você deve conhecê-lo para escolher as melhores imagens e discurso. O jeito como você escolhe passar sua mensagem e como ela causa uma identificação nas pessoas que a assistem é essencial para uma apresentação de sucesso.


 

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