O que um escritor russo do século 19 pode te ensinar sobre apresentações corporativas?

Publicado em 22/01/2020, por Juliano Pupo

Você já ouviu falar na “arma de Tchekhov”?

A arma de Tchekhov é uma ferramenta narrativa elaborada pelo médico, escritor e dramaturgo russo Anton Tchekhov (1860 – 1904). Segundo ele, toda vez que uma arma é exposta numa cena, o autor tem o dever de usá-la em algum momento da história. Caso contrário, a arma não tem sequer que existir, já que só cria uma expectativa que nunca vai ser correspondida.

A arma de Tchekhov, porém, não precisa ser um revólver ou outro objeto bélico; pode se tratar de qualquer coisa, inclusive um personagem, um conceito ou um talento do protagonista. O importante é que seja um elemento que apareça rapidamente num determinado momento, para só reaparecer no futuro, normalmente como o salvador da pátria, a solução para um conflito enfrentado.

Mas como isso pode te ajudar na hora de elaborar uma apresentação estratégica, seja para apresentar uma nova linha de produtos, o plano de metas do ano seguinte ou para conseguir a liberação daquela verba extra para o seu departamento?

Bem, de algumas maneiras.

1) SE NÃO FOR USAR, NÃO COLOQUE NA CENA!

Em primeiro lugar, é preciso ter em mente que o tempo é curto! O público limpou uma agenda disputada para te assistir, portanto, VALORIZE O TEMPO DA SUA AUDIÊNCIA, não use elementos supérfluos ou assuntos já conhecidos que serão irrelevantes tanto para ela, quanto para a história que você está contanto. Se a arma não será usada, remova-a da apresentação.

2) EM SEGUNDO LUGAR, TENSÃO!

Nada prende mais a audiência à história, fazendo ela se afundar na cadeira, do que bons momentos de tensão.

Quando bem-feita, a arma de Tchekhov já cria tensão logo de cara, mas, ao ser guardada numa gavetinha no desenrolar da história, fica ali no inconsciente, assoprando no ouvido do público durante todo o filme, e só se revela no momento derradeiro, quando todos já haviam perdido as esperanças na vitória do herói.

Em apresentações estratégicas, a arma de Tchekhov pode aparecer no começo da sua performance como um KPI que não recebe a devida atenção num primeiro momento, mas que no final vai ser o termômetro para a nova estratégia do departamento, ou mesmo como a mensagem central que será levantada no começo, desenvolvida no meio e comprovada no final, reassumindo o protagonismo como a grande heroína da história.

Essa última dinâmica nos leva à terceira possibilidade:

3) O FECHAMENTO DE UM CICLO!

Ao resgatar no final da sua obra dramática (perdão pela licença poética, mas me pareceu mais abrangente do que especificar filme, apresentação, peça etc.) um elemento apresentado lá no começo da história, o público inconscientemente já encaminha a narrativa para o seu encerramento. Esse resgate, além de amenizar alguma ansiedade que esteja tomando conta da audiência, gera a percepção de que todas as pontas foram amarradas, e que o ciclo da aventura foi fechado com primazia e as coisas agora fluem e se encaixam.

E então, acha que consegue aproveitar os ensinamentos de Tchekhov na sua próxima apresentação? Eu aposto que sim! Afinal, apresentações de impacto exigem despertar a empatia e as emoções mais profundas do espectador, e não há nada melhor do que a arte para nos ensinar o caminho. 

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